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Como obter um empréstimo entre particulares e financiar o seu projeto com confiança?

Um empréstimo entre particulares é um crédito concedido diretamente entre duas pessoas singulares, sem recorrer a uma instituição bancária. Pode assumir a forma…

Deux particuliers signant un accord de prêt entre particuliers autour d'une table avec des documents financiers

Um empréstimo entre particulares é um crédito celebrado diretamente entre duas pessoas singulares, sem recorrer a uma instituição bancária. Pode assumir a forma de um empréstimo familiar ou entre amigos, ou ser concedido através de uma plataforma de ligação entre mutuantes e mutuários. Assim que o montante ultrapassa 1 500 euros, é obrigatório formalizar o acordo por escrito. Este mecanismo oferece uma flexibilidade real, mas está sujeito a um enquadramento jurídico e fiscal específico que ambas as partes devem conhecer antes de se comprometerem.

Contrato de empréstimo ou declaração de dívida: dois documentos com efeitos diferentes

É frequente confundir estes dois documentos, o que pode sair caro em caso de litígio. O contrato de empréstimo entre particulares é assinado por ambas as partes. Especifica o montante, o prazo, as condições de reembolso e, se for caso disso, a taxa de juro aplicada.

A declaração de dívida, por sua vez, vincula apenas o mutuário. Atesta que foi recebida uma determinada quantia e que esta deverá ser devolvida. Não define necessariamente um calendário de reembolso nem uma taxa de juro.

Para garantir a segurança da operação, o contrato de empréstimo protege melhor ambas as partes do que uma simples declaração de dívida. Constitui uma prova completa em caso de recurso aos tribunais, pois contém as assinaturas do mutuante e do mutuário e especifica todas as condições do acordo.

Financiar um projeto pessoal com o empréstimo PAP da Smart PAP implica elaborar um documento escrito deste tipo, que esclarece desde o início os compromissos de cada parte.

A escritura notarial é facultativa, mas confere ao contrato força executiva: em caso de falta de reembolso, o mutuante pode iniciar diretamente um processo de cobrança sem passar por uma fase de julgamento. Esta opção merece ser considerada para montantes elevados ou empréstimos destinados à compra de imóveis.

Homem a analisar um contrato de empréstimo entre particulares na sua secretária, com documentos financeiros e uma calculadora

Obrigações fiscais do empréstimo entre particulares: limite de declaração e tributação dos juros

A dimensão fiscal do empréstimo entre particulares é muitas vezes subestimada. O mutuante e o mutuário têm obrigações distintas perante a administração fiscal.

Declaração do empréstimo às Finanças

Todos os empréstimos cujo montante ultrapasse 5 000 euros devem ser declarados à administração fiscal. Cabe ao mutuário apresentar a declaração, que deve ser anexada à sua declaração de rendimentos. A falta de declaração pode dar origem a uma correção fiscal, uma vez que a administração pode requalificar o montante como uma doação dissimulada.

Tributação dos juros recebidos pelo mutuante

Se o empréstimo for celebrado com uma taxa de juro, os montantes recebidos pelo mutuante constituem rendimentos tributáveis. O mutuante deve incluí-los na sua declaração anual de rendimentos.

Um empréstimo sem juros entre pessoas próximas continua a ser possível e comum, mas também deve ser declarado assim que o limite de 5 000 euros for ultrapassado. A ausência de juros não dispensa a obrigação de declaração.

Empréstimo através de uma plataforma de financiamento colaborativo: o que o enquadramento europeu muda para o mutuante

As plataformas de financiamento colaborativo (crowdlending) oferecem outra modalidade de empréstimo entre particulares. O mutuante financia um projeto apresentado por um mutuário que não conhece pessoalmente, em troca do reembolso com juros.

O regulamento europeu relativo aos prestadores de serviços de financiamento colaborativo aplica-se aos novos operadores desde 10 de novembro de 2021, e o período transitório para os operadores já existentes terminou em 10 de novembro de 2023. Este enquadramento harmonizado obriga as plataformas a tornar visíveis os riscos de incumprimento, de atraso no reembolso e de ausência de rentabilidade.

No entanto, a AMF identificou falhas concretas na informação fornecida aos investidores por algumas plataformas. As inspeções recentes mostram que a rentabilidade anunciada nem sempre reflete o risco real. Antes de emprestar através de uma plataforma, verificar se está registada junto da AMF ou da ACPR continua a ser a primeira medida a tomar.

Há um risco específico do crowdlending que convém antecipar: a falta de liquidez. Um empréstimo participativo não é fácil de revender. O dinheiro investido fica imobilizado até à data de vencimento prevista, mesmo que o mutuante queira recuperar o montante mais cedo.

Litígios e falta de reembolso: recursos concretos ao dispor do mutuante

O risco de incumprimento é a contrapartida direta da flexibilidade do empréstimo entre particulares. Existem duas vias de recurso, cuja eficácia depende em grande medida da qualidade do documento inicial.

  • A cobrança extrajudicial começa com o envio de uma interpelação formal ao mutuário por carta registada. Pode ser mandatado um oficial de justiça para notificar essa interpelação, formalizando o procedimento e abrindo caminho a uma ação judicial caso o mutuário não reaja.
  • A cobrança judicial ocorre quando a fase extrajudicial não tem sucesso. O mutuante pode recorrer ao tribunal judicial, desde que apresente o contrato de empréstimo ou a declaração de dívida. Sem um documento escrito, a existência do empréstimo tem de ser provada por elementos indiretos (transferências bancárias, troca de mensagens), o que torna o processo mais complexo e demorado.

A solidez do contrato assinado inicialmente determina a rapidez e o custo da cobrança. Um contrato de empréstimo completo, com plano de reembolso, cláusulas relativas a atrasos e assinaturas de ambas as partes, reduz o tempo médio de resolução de um litígio em comparação com uma declaração de dívida sucinta.

Empreendedora a consultar uma aplicação de empréstimo entre particulares no smartphone, num espaço de coworking

O empréstimo entre particulares continua a ser uma solução de financiamento pertinente para projetos que os canais bancários tradicionais financiam com dificuldade ou lentidão. O seu sucesso depende menos do montante emprestado do que do rigor do documento que o formaliza e do cumprimento das obrigações declarativas. Um contrato bem redigido, uma declaração fiscal apresentada dentro do prazo e a verificação prévia da plataforma utilizada são suficientes para garantir a segurança da operação para ambas as partes.

Como obter um empréstimo entre particulares e financiar o seu projeto com confiança?